
Contam as fontes dos bastidores que o ex-prefeito de Mossoró e candidato derrotado ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, alçou voo feito um azulão rumo a Brasília. O movimento apressado para a capital federal, logo após o indigesto resultado das urnas estaduais, acendeu o alerta vermelho nos meios políticos do Rio Grande do Norte sobre os reais motivos do desembarque do liderado do União Brasil no Planalto Central.
A grande dúvida que circula entre os analistas locais é se o ex-gestor foi à Capital Federal articular saídas para o seu futuro político ou se acabou forçado a rastejar nos gabinetes em busca de contenção para desgastes bem mais graves.
Paira no ar a sombra do caso Mederi, cujo prazo crucial de 90 dias se encerra no próximo dia 15 de novembro, após a manifestação do Ministério Público Federal (MPF) que opinou favoravelmente pela prorrogação dos procedimentos de apuração.
Desprovido da caneta do Palácio da Resistência e sem o mandato executivo que costumava blindar sua narrativa, o ex-prefeito agora enfrenta o peso de ser oposição e o rigor dos órgãos de fiscalização sem a mesma estrutura que o protegeu durante o mandato municipal.
Se em Brasília o "calango" busca afago partidário para não evaporar politicamente ou se corre para estancar as pontas soltas de expedientes que avançam na Justiça Federal, a resposta começará a ser desenhada assim que o prazo de novembro chegar ao fim.
EM TEMPO
O desdobramento jurídico, contudo, ameaça provocar um efeito dominó na estrutura do Poder Executivo de Mossoró e deixar o Palácio da Resistência sem o seu atual inquilino. Com a renúncia de Allyson Bezerra para concorrer ao governo, assumiu o vice-prefeito Marcos Medeiros, que também figura entre os alvos investigados na Operação Mederi.
Caso ocorra um cenário de afastamento judicial de Medeiros, os ritos institucionais determinam que a cadeira principal passe inteiramente para as mãos do presidente da Câmara Municipal, o vereador Genilson Alves, que a esta altura já observa a movimentação nos tribunais "lambendo a rapadura" e vislumbrando a chance real de assumir o comando da segunda maior cidade do Estado.












