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INCERTEZA POLÍTICA E ECONÔMICA FAZ BRASILEIROS CORREREM PARA INVESTIR NO EXTERIOR APÓS ELEIÇÕES

A instabilidade econômica e as incertezas políticas do pós-eleição acenderam o sinal de alerta no bolso do brasileiro. Logo após os dois turnos do pleito, disparou a busca por alternativas para proteger o patrimônio longe das garras da inflação e das oscilações da moeda nacional.
Um termômetro claro dessa debandada é o desempenho da Avenue, uma das principais plataformas de investimentos no exterior. A corretora registrou um salto expressivo na abertura de novas contas exatamente nos dias seguintes às votações:
1º Turno: A abertura de contas saltou 130% em relação à média diária do mês.
2º Turno: O dia da votação cravou o recorde anual de novos cadastros em 2026. Nos dois dias seguintes, a procura continuou em ritmo acelerado, 60% acima da média do ano.
Mais do que viagem: a busca é por blindagem patrimonial
E engana-se quem pensa que a movimentação se resume a compras de dólares para passeios na Disney ou cartões internacionais para viagens de férias. Segundo especialistas do mercado financeiro, o fenômeno reflete a percepção cada vez mais evidente dos riscos de manter 100% do patrimônio concentrado em reais. A meta agora é dolarizar reservas e diversificar investimentos em mercados internacionais consolidados.
Os dados oficiais do Banco Central e da Receita Federal confirmam a tendência: em 2025, 32,4 mil pessoas e empresas declararam possuir recursos fora do Brasil — o maior patamar registrado desde 2020. Entre pessoas físicas, foram 28,3 mil declarantes, batendo o recorde desde 2019.
Vale ressaltar a gravidade desse indicador: desde 2020, a declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) só é obrigatória para quem possui patrimônio acima de US$ 1 milhão no estrangeiro. Ou seja, o volume real de pequenos e médios investidores migrando recursos para fora é ainda maior.
A tecnologia democratizou a fuga do Risco-Brasil
Antigamente, ter conta em dólar ou investir na Bolsa de Nova York era privilégio exclusivo do público private banking e de grandes fortunas, que contavam com bancas de advogados e estruturas off-shore complexas.
Hoje, com o avanço e a popularização das fintechs e corretoras digitais, qualquer brasileiro consegue abrir uma conta global em poucos cliques pelo celular. Somando essa facilidade à crônica incerteza da economia doméstica, a rota de fuga do capital tornou-se um caminho sem volta para quem quer garantir o futuro da família longe das turbulências de Brasília.













